quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Búzios e Buas Belas Praias



Praia Azeda
Pequena praia de águas calmas e cristalinas. Acesso por uma pequena trilha vinda da praia dos Ossos ou de barco. Lindíssima.



Praia João Fernandinho

Pequena praia de águas calmas e cristalinas. Acesso pela Praia de João Fernandes, onde nos vários bares pode-se deliciar-se com lagostas e peixes da região.



Praia da Ferradura

Enseada de águas calmas com bares ao estilo de aldeia de pescadores, bem ao espírito de Búzios. Ideal para quem tem crianças.





Praia de Geribá

Bela praia de águas e areias claras com muito sol, gente bonita e famosa. Ideal para esportes como o surf, morey boggie, footvolley e wind-surf.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Um sonho indiano!





Estes dias de canícula trazem-me à lembrança os meses passados na Índia, com o termômetro ainda mais alto que o nosso e nenhuma promessa de chuva antes da estação própria. Em alguns lugares, a paisagem tornara-se de um cinzento esbranquiçado - ossos, cal, cinza. O peso do sol era o peso do céu. Diziam-me: "Quando chover, fica tudo verde."

Mas o indiano tem o prazer do ar livre. Os belos jardins públicos estão sempre povoados de famílias que espairecem , passeiam, contemplam as árvores, admiram as flores, maravilham-se com os jorros d’água, os lagos, a sombra, as cores... Ao ar livre trabalha muita gente: barbeiros, costureiros, latoeiros... Ao ar livre fabrica-se e vende-se, brinca-se, estuda-se, medita-se.

As casas foram pensadas para um clima assim. Os aposentos muito altos são rasgados por amplas janelas, grandes portas, e por cima delas quase junto ao teto, ainda se vêem aberturas que facilitam a ventilação. Portas e janelas são para estarem abertas, no verão, protegidas às vezes por leves cortinas, ou por esteiras, que é costume molhar, para favorecer a frescura do ambiente. Há palhas perfumosas, que, molhadas, recedem. Fazem-se também quiosques de palha trançada, em alguns lugares nas casas modernas existem, naturalmente, grandes ventiladores suspensos no teto. O resto são varandas, cortinas que se levantam à menor brisa, e repuxos: o ar e água, que com o rumor de seus jogos consolam e refrescam.

Por outro lado, a vida indiana é simples e plácida. A comida, leve, quase sempre reduzida a legumes e arroz, um pouco de peixe ou ave. Muitas frutas: as mesmas frutas brasileiras que nos dão a impressão de não termos saído da terra: caju, manga, cocos, tamarindo, goiaba... E finalmente, leite, coalhadas, queijinhos moles, creme.

Como o sol, a certas horas, é insuportável, há trabalhos que começam muito cedo, no campo; e nas horas mais quentes do dia um grande sossego de sesta envolve a natureza e as criaturas , principalmente nos lugares pequenos, onde a vida é menos intensa.

A vestimenta típica dos indianos, homens e mulheres, além de sua grande beleza, é a mais inteligente que se possa usar também no verão. O sári é um longo pano (que pode ir do simples tecido de algodão à seda, e à gaze mais primorosamente ornamentada) com que a mulher indiana faz, rapidamente, uma elegante saia, sem costura nem qualquer espécie de prendedores, ajustando-o ao corpo, pregueando-o, fixando-o a cós da anágua, deixando uma ponta solta, como echarpe, que pode cobrir a cabeça ou envolver os ombros e busto, por cima da blusa.

O vestuário tradicional dos homens é aquele que Gandhi tornou conhecido no Ocidente: um sistema de panos brancos e flutuantes, formando calções amplos e o manto para as costas. Nem todos os homens se vestem assim, nem em todas as circunstâncias, mas os que sabem trazer esse tipo de indumentária imprimem à paisagem indiana uma nota inesquecível de autenticidade. Sandálias recortadas de variados modos completam esse guarda roupa. E só de olhar para as roupas de qualquer pessoa, para esses tecidos tão sensíveis que se franzem à menor brisa, pode-se ver se há calmaria ou se algum vento se esboça.

Como os indianos são normalmente abstêmios, mesmo em ocasiões de festa, as bebidas de suco de frutas, são verdadeiramente refrescantes. E as mais belas recepções são, sem dúvida, ao ar livre, nos jardins, entre as árvores, às vezes com tendas graciosas armadas, para facilitarem o serviço. Quando o jardim é o do palácio presidencial, todo recortado de canteiros entremeados d’água, com repuxos inúmeros, e todo bordado de flores como um tapete, e quando a festa é uma data nacional, não há salão que se possa igualar a esse ambiente de flores, águas irisadas, bebidas perfumosas e coloridas, e o fulgor das roupas orientais, de tons intensos e límpidos.

À noite, dorme-se nos terraços, nos jardins, nas varandas, na rua. Uns dormem pelo chão, em esteiras, outros nessas camas de vento (na verdade, de vento...) sem colchão, apenas com um trançado de cadarços em lugar do estrado. Os estrangeiros pensam que se dorme na rua só por pobreza, mas não é bem verdade. Há quem transporte sua cama para o lado de fora da casa a fim de aproveitar a fresca da noite para o repouso. E pergunto-me se haverá muitos lugares, hoje, no mundo, em que um mortal possa dormir tranqüilo ao ar livre, sem que outro mortal lhe venha tirar pelo menos o lençol e o travesseiro.

(Cecília Meireles. In: Obra em prosa - Crônicas de Viagem 2)